O termo poluição tem origem no latim Polluere que significa sujar, sendo a poluição marinha definida por diversos autores como sendo “a introdução, pelo homem, de substâncias ou energia no ambiente, incluindo estuários, ocasionando efeitos deletérios, como dando aos recursos vivos, doenças à saúde humana e obstáculos a atividades marinhas, incluindo a pesca e o lazer, ocasionando a redução da qualidade de vida. A poluição marinha prejudica ainda a qualidade da água e/ou reduz as atrações e comodidades”.
A poluição marinha é um sério problema que cresce significativamente em todo o mundo. Ao longo dos séculos de ocupação os oceanos têm sido o depósito final de muitos dejetos humanos. Com o advento da produção de plásticos, isopores e espumas, este problema vem se agravando dia-a-dia. A longa vida útil destes materiais devido a baixa taxa de biodegradação tem acumulado montanhas de resíduos sólidos nos oceanos. Estudos recentes indicam que a utilização das praias é um importante determinante na contaminação por lixo e que as utilizadas com fins de recreação podem ser uma significativa fonte de poluição dos ambientes marinhos.
A Campanha do Dia Mundial de Limpeza de Praias (International Coastal Cleanup Day) é o maior esforço de limpeza do ambiente marinho em todo o mundo, realizado desde 1986 desde o primeiro evento organizado pelo Centro para a Conservação da Vida Marinha (The Ocean Conservancy), hoje apoiado pelo PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, pelo Project AWARE Foundation e outras organizações internacionais. Em seu primeiro ano o evento contou com cerca de 10.000 voluntários em diversos países, e pouco mais de 20 anos depois, em 2007 contou com a participação de 378.000 voluntários em eventos realizados em 76 países distintos.
Por ano cerca de 6.000.000 de toneladas de lixo são despejados nos oceanos, onde cerca de dois terços de todo o lixo é algum tipo de detrito não degradável a curto prazo. Canudinhos, pontas de cigarro, tampinhas, sacos plásticos, restos de redes, linhas de pesca e cordas abandonadas no mar, podem ser levados por longas distâncias afetando ambientes diversos e/ou permanecerem nesse ambiente por muitos anos e por sua baixa biodegradabilidade acabam vitimando inúmeros animais que se enroscam e acabam morrendo por asfixia ou por inanição, isso sem falar que o processo de degradação de diversos destes itens, especialmente os que apresentem pigmentação liberam componentes químicos perigosos no ambiente marinho.
A ponta de cigarro, o item mais coletado no mundo todo por oito anos consecutivos, tem ocasionado a morte de inúmeros animais que a confundem com ovas de peixe e a engolem. O mesmo ocorre com os sacos plásticos que segundo o Project AWARE Foundation representa 90% de todo o lixo gerado pelo homem e que à deriva é facilmente confundido com água-viva ou lula, componentes alimentares de espécies como peixes, aves, focas, tartarugas e golfinhos podendo levá-los à morte por asfixia. Apenas entre os anos de 1998 e 2000 um golfinho-de-risso, uma baleia-bicuda-de-Cuvier e um lobo-marinho-subantártico resgatados na região metropolitana do Salvador apresentaram a ingestão de lixo plástico como a causa ou agravante para o seu óbito.
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, ONU, cerca de 70% das substâncias químicas e resíduos, que contaminam os oceanos vem de atividades humanas na zona costeira. Os outros 30% vem de acidentes ou descargas feitas por navios, plataformas de petróleo e incineradores de alto mar.
Percorrendo os oito mil quilômetros da costa brasileira, sabe-se que é perfeitamente possível encontrar rejeitos plásticos no mar. Segundo um relatório divulgado recentemente pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês), há atualmente mais de 46 mil detritos de plástico a cada milha quadrada de oceano, ou seja, a cada 2,5 quilômetros quadrados. O estudo em questão afirma que esses detritos causam a morte de um milhão de pássaros marinhos, 100 mil mamíferos aquáticos e inúmeros peixes.
As águas das praias contaminadas pelo lixo podem representar um risco à saúde dos banhistas, freqüentadores e aos organismos que nela vivem. Crianças e idosos, ou pessoas com baixa resistência estão entre os principais freqüentadores de ambientes de praia sendo portanto as mais suscetíveis a esta exposição.
A balneabilidade das praias é determinada, principalmente, pelas condições microbiológicas das águas, mas é crescente a preocupação com a contaminação das areias pelo descarte do lixo que também costuma ser carreado pela maré e termina por depositar-se dentro d’água onde continua o seu processo de degradação e poluição representando riscos à saúde do ambiente e dos banhistas.
Desde 2006 o Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) participa da realização do evento no litroal baiano, nos dois primeiros anos fornecendo apoio tecnico às operadoras de mergulho locais na quantificação, qulaificação e destino do lixo coletado e a partir de 2008 a ONG assumiu a realização do evento através do “Programa Lixus humanus: Vamos extinguir esta espécie!!!”.
[...] Cleanup Day Bahia é realizado em Salvador desde 2006 pelo Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas [...]